O serão literário das Cortes de 9 de Maio versou sobre “O que é e para que serve a informação?”. Que é como quem pergunta: de tanto “ruído” à nossa volta, o que é que nos interessa efectivamente?

 Seroes maio

Antes, porém, foram vistos alguns livros produzidos ou apresentados na região e enunciadas as iniciativas culturais agendadas para o mês de Maio.

Por sua vez, Paulo Costa encontrou um “Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro”, de 1898, dois anos depois da morte Rodrigues Cordeiro, que foi seu director vários anos. Nesse «objecto ímpar de 117 Anos, adquirido na Feira de Velharias de Leiria», encontrou várias passagens deliciosas. E partilhou com os presentes uma entrada sobre a Bicicleta, que transcrevemos em parte, respeitando a grafia da época:

«A BICYCLETTA

«Na opinião dos entendidos a bicycletta é um remedio efficaz contra a obesidade, a gotta, a nephrite, a dyspepsia, e em geral contra todas as affecções caracterizadas por um afrouxamento das oxydações. Mas o que muita gente ignora é que, empregada com extrema moderação e vigilância, pode tornar-se um agente de tractamento das affecções cardiacas e pullmonares.(...)/ A bicycletta fornece um exercicio symetrico, cadenciado e essencialmente automático,e, por consequencia, assaz proprio para restabelecer a harmonia circulatoria dos dois hemisferios cerebraes, quando haja sido perturbada por um trabalho intellectual prolongado.» Para finalizar com uma conclusão sumptuosa: «(...) a bicycletta é um remedio maravilhoso, posto que ainda um pouco caro, mas d’um uso mais duravel que uma purga, e menos dispendioso ainda assim do que uma temporada em qualquer das estações thermaes da moda».

Depois, foi o momento de evocar uma efeméride incontornável: os 16 anos dos Serões Literários das Cortes (que nasceram em Maio de 1999). Como habitualmente, alguns participantes produziram literatura alusiva. Foi o caso de Luís Vieira da Mota, com um excelente texto poético, designado “Memória” (ver nesta página), que evoca os ambientes em que os Serões foram sendo feitos no decurso destes 16 anos. Um outro trabalho, agora de Carlos Lopes Pires,

“Confissão aos amigos dos Serões”, não chegou a ser apresentado (foi apenas oferecido posteriormente), mas refere também «os distantes dias antigos/ que nunca se gastaram», pelo que o reproduzimos igualmente nesta página.

O tema em discussão, “O que é e para que serve a informação?” foi especialmente abordado por Zaida Paiva Nunes que, de forma perspicaz e bem fundamentada, evocou a cibernética, já sugerida em serão anterior, e ligou o conceito ao tema da noite, sobretudo tendo presente que “cibernética” é um termo que traduz a unidade essencial dos problemas de comunicação e controle nas máquinas e nos seres vivos, em especial o modo como se organizam, regulam, reproduzem, evoluem e aprendem. Os teóricos dizem mesmo que a teoria da informação se situa no âmbito da cibernética – a teoria do controlo e da comunicação na máquina e no animal, em que a informação se mostra como medida probabilística.

Depois foi o debate, às vezes aceso e algo distante da unanimidade. É de facto grande a distância entre os que dizem não precisar da informação para viver e os que a acham essencial para as suas opções comuns. Aqui e ali, a confusão entre informação e “notícias” ou “comunicação social” ou mesmo “ruído informativo” interpôs-se de forma redutora, mas lá foi ficando assente que a informação é, de algum modo, a medida da alteração do estado de conhecimento de uma pessoa e que, nesse sentido, uns precisarão de estar mais bem informados do que outros. Cibernética!


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