A novidade dos atuais agrupamentos de escolas é, para mim, um autêntico desastre em termos de educação. Torna mais distantes e desconhecedores das pequenas realidades os responsáveis pela direção, torna mais difícil para os diretores tomar decisões em situações de que não dominam os pormenores, criam uma relação mais formal (e mais fria) entre os dirigentes e os dirigidos.

Isto não é bom nem para os professores, nem para os auxiliares de educação, mas é ainda muito pior para os alunos, sobretudo para os mais novos. E também não é bom para os diretores, porque os coloca na situação do comandante que não conhece ou não domina o seu navio, pelo qual é o primeiro responsável. Os agrupamentos, nas escolas, como nos hospitais, ou noutros serviços do Estado, foram criados não só por razões economicistas, mas também porque os governos têm mais facilidade em lidar com direções que ficam mais próximas das cúpulas e cada vez mais distantes das bases. E é nessas que as coisas acontecem. E é nessas que as coisas funcionam. Ou não.
Embora toda a gente concorde que a educação é um bem essencial para se obter um povo bem formado, com capacidade, que seja uma mais valia para o progresso e o desenvolvimento sustentado e ajuizado do País – toda a gente sente que em Portugal a educação é um parente pobre, constantemente maltratado pelos governantes. E, cada vez mais, as orientações ou as leis, os programas, etc., que dizem respeito à educação são decididos pelos políticos, e raramente, são elaborados pelos professores ou com a sua colaboração.
No ambiente da vida atual, em que andamos todos a correr e, por isso, os pais cada vez dispensam menos tempo e menos atenção aos seus filhos, tem que ser a escola a tapar essa lacuna. Uma boa parte da educação que deveria vir de casa, a dos valores, a do amor, a da amizade, a das afetividades, da fraternidade, tem que ser encontrada e adquirida na escola. Ora para a escola poder influenciar suficientemente a formação de cada aluno, tem que dar aos educadores condições e tempo para entrarem no coração de cada um, criando empatia recíproca e afetividade entre o educando e o educador. Se o aluno sente afetividade pelo seu educador, se gosta dele, procura imitá-lo, cumpre para lhe agradar, facilitando assim todo o processo de aprendizagem. E isto só é possível em pequenos mundos, onde a relação é mais fácil, mais próxima, que nas grandes multidões.