“O bom, o mau e o vilão” é o título de um filme de cowboys que descreve a história de três aventureiros que nas terras sem lei do oeste americano desenvolvem a sua acção: o bom e herói principal do filme tinha um critério mais honesto, o mau não tinha escrúpulo nenhum em enganar até os próprios amigos, e o vilão bastava ver uma simples moeda de ouro a brilhar para perder a razão e atraiçoar qualquer pessoa para ficar com o vil metal.

 

Foi certamente esta produção cinematográfica americana que serviu de inspiração para uma “divina comédia em três actos” a que nós, portugueses, temos assistido nos últimos meses. Conta-nos a história de um banco, com quase cento e cinquenta anos de existência e um percurso muito próximo dos políticos da área superior do poder, que depois de enveredar por um caminho que lhe criou algumas dificuldades foi intervencionado por um Estado com uma intervenção cirúrgica de última hora. Um facto que deu aos nossos governantes sempre ávidos de activos para vender uma oportunidade única de aproveitar a recapitalização de um banco para actuarem com uma rapidez surpreendente e pouco vulgar nestes casos, para se apoderarem e dividirem essa instituição financeira em duas partes. Numa ficou o banco bom, onde os clientes podem continuar a depositar as suas economias, noutra ficou o banco mau, onde estão os activos tóxicos como a lembrar aos incautos nacionais e estrangeiros que o aliciamento e as garantias dadas por as entidades superiores do Governo Português para injectarem capital num banco seguro, afinal não passavam de uma armadilha que em princípio custou o dinheiro a esses investidores e pôs em causa a credibilidade dos políticos, com uma implicação que pode num futuro próximo afectar também outras empresas cotadas em bolsa sedeadas em Portugal.

E por fim temos o “vilão” que tem uma história muito engraçada também. Durante muitos anos bateram à porta deste gestor financeiro os mais variados pedidos de ajuda, uns para arranjar emprego, outros para apoiar políticos, e muitos empresários a solicitar a sua enorme influência política e social, para lhes abrir oportunidades de negócios que só a experiência de um banqueiro pode e consegue fazer, todos estes dotes foram idolatrados anos a fio nas revistas cor-de-rosa. Porém, quando uma filial do seu banco a laborar num país onde a corrupção é prática corrente, começou a apresentar irregularidades e as acções começaram a ser vendidas ao desbarato, as mesmas forças mediáticas que antes glorificavam este cidadão como um Deus protector, não perderam tempo para pintar este homem como o mais vil de todos os vilões. Conseguiu enganar um Presidente da República que frequentemente diz que nunca se engana, enganou um Primeiro-Ministro que manietado por um golpe palaciano feito em Julho de 2013, ficou à mercê de uma muleta e sem qualquer eficiência governativa, enganou o governador do BdP que teve a humildade e a honestidade de confirmar as dificuldades existentes, para supervisionar a complexa teia de corrosão que sem barreiras e nem fronteiras existe na alta finança internacional, enganou a nossa Ministra das Finanças que mais preocupada com os cortes orçamentais, não tem tempo para vigiar todo o trabalho e competências de outros membros do

Governo… Tudo isto é sinónimo de uma desarticulação geral de serviços que tem deixado o país à deriva e tem ficado muito caro aos contribuintes portugueses. 

Contudo, o julgamento mediático que em praça pública tem sido feito em torno deste caso, é em todos os seus aspectos prejudicial para um apuramento de todos os factos, que deviam ser todos analisados com uma auditoria geral séria e rigorosa. Para se ter um conhecimento mais profundo de todo o problema sem se cair no logro de imputar as culpas todas e condenar prematuramente um homem, que pode ter sido ele próprio mais uma vítima de um sistema endémico de interesses estrangeiros instalado e protegido no nosso país por um bando de vilões, que impunemente e sem respeito algum por as leis vigentes, vão fazendo umas peças de teatro para confundir a opinião pública e justificar toda a pressa em transferir para mãos estrangeiras todo o património valioso que temos, um procedimento indigno e incompatível com as regras democráticas. 

 


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