Um exemplo importante, que bem merece ser conhecido, vem-nos da Dinamarca. Todos nós vamos sabendo um pouco sobre o respeito que os  povos dos países do norte da Europa têm pela ecologia e sobre o seu modo de viver mais simples, mais ao ar livre, numa forma de vida mais saudável, apesar de a Dinamarca ser um país bem mais frio que o nosso.

Aproveito-me do trabalho de um jornalista – Robert Kiener – publicado nas Selecções do Reader‘s de Junho de 2015, a quem, com a devida vénia, peço licença para copiar algumas das informações:

«Copenhaga, a capital da Dinamarca, foi nomeada o ano passado "Capital Verde da Europa" pela Comissão Europeia». «O Presidente da Câmara de Copenhaga, desloca-se para o emprego de bicicleta e afirma que mais de metade dos 555 mil habitantes da cidade vão de bicicleta para o trabalho ou para a escola». E acrescenta: «É mais saudável, mais verde e mais barato do que andar de carro. Temos mais bicicletas do que pessoas, e cinco vezes mais bicicletas do que carros».

Se compararmos este entendimento de vida saudável com a nossa vivência de vida, sempre instalados no banco do carro, na maioria dos casos com apenas uma pessoa em cada um, inventando as mais bizarras soluções de aparcamento para não andarmos mais de cem metros a pé. E se lhe acrescentarmos a importância que, muitos de nós, atribuem ao carro como símbolo de estatuto social, valorizando a marca, o modelo, a cilindrada, a alta gama, a cor, etc., percebemos que, na nossa cultura, (infelizmente) o carro, além de meio de locomoção, faz parte da nossa cagança, pelo que atulhamos as cidades de carros, mais do que seria necessário, se tivéssemos outra mentalidade mais ajuizada. Lembro aqui o exemplo daquele senhor deputado que há pouco tempo perguntava: «Querem que eu vá de Clio para a Assembleia?». Eu, se me deixassem, responder-lhe-ia: "e porque não? – se em muitos países da Europa os governantes e os deputados vão para o trabalho de metropolitano, ou noutros transportes públicos, misturados com o cidadão comum".

De vez em quando, aqui ou ali, vamos reconhecendo a importância de se andar a pé ou de bicicleta, mas aqueles que o tentam, não têm criadas as condições necessárias, pelo perigo de se andar pelas ruas em conjunto com os carros. Todos sabemos que o peão ou o ciclista atrapalham os carros e estes, muitas vezes, não os respeitam ou  até os atropelam.

A este propósito, o jornalista, que pedalou na companhia do presidente da Câmara, afirmava: «Depressa descubro que, em Copenhaga a bicicleta é rainha, enquanto nos juntamos a uma torrente constante de ciclistas que pedalam ao longo dos Jardins Tivoli, numa pista de ciclismo  de três metros de largura, separada dos carros e dos pedestres».

Mas há mais, diz o presidente da Câmara: «Estamos a desenvolver mais 26 autoestradas para bicicletas, algumas com até 20 quilómetros, para que ainda mais pessoas sejam encorajadas a deslocar-se para Copenhaga a partir dos arredores».

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