As nossas aldeias apresentam um parque habitacional degradado e vazio que podendo ser recuperado e requalificado, seria um bom fator dinamizador das mesmas, além de travar a desertificação que se assiste com a migração dos jovens para centros urbanos.

Esta migração, que despovoa as nossas aldeias, tornando-as quase fantasmas e onde durante o dia se torna por vezes impossível encontrar uma pessoa, é também a responsável pela perda de culturas locais levando a uma dessocialização, com perda de identidade e, mais grave, pela perda da possibilidade de transmissão de conhecimento intergeracional aos mais jovens. Reconhecemos a dificuldade de ter acesso a essas habitações, pelas repartições entre os diversos herdeiros a que estão sujeitas, pelo desinteresse dos seus possuidores ou mesmo por razões sentimentais de posse, tornando-se impossível qualquer sistema de negociação por pessoas interessadas em voltar às nossas aldeias.

O sistema de governação política nada tem feito para dinamizar esta recuperação nas nossas aldeias. Os programas que existem são voltados para os centros urbanos, com um esquecimento ensurdecedor das áreas rurais. É o caso do programa “JESSICA” que disponibilizava (termina em dezembro de 2015) apoios financeiros para este tipo de recuperação mas circunscritos às áreas urbanas.

Mas esta existência não pode ser um elemento inibidor das entidades que nos estão mais próximas, seja o Município sejam as entidades intermunicipais. A dificuldade que colocam para a recuperação de edifícios nas zonas rurais em nada vêm facilitar tal recuperação, pelo contrário tem sido um fator inibidor.

Reduzidas mas, estas entidades, ainda dispõem de alguns meios facilitadores capazes de dinamizar e incentivar os interessados a tal recuperação. Na última assembleia municipal, foram analisadas e aprovadas reduções de IMI ou mesmo isenções no que se refere à regeneração urbana. Mas nossas aldeias ficaram de fora.

Se as novas regras do PDM, que têm por base a aptidão dos terrenos, protegem os recursos naturais de modo a garantir a nossa sustentabilidade futura, a dificuldade sentida em encontrar espaços edificáveis, pode encontrar a sua solução na disponibilidade e capacidade em recuperar os espaços hoje devolutos nas nossas aldeias.

Quando verificamos que existem pessoas que colocam todo o seu esforço em recuperar estas habitações, que mantendo a sua estrutura tradicional as adaptam com as caraterísticas necessárias à qualidade de vida moderna, contribuem para a transmissão da nossa cultura e a revitalização das nossas aldeias.

É por isso bom saber que, em diversos lugares da nossa freguesia, se trabalha na recuperação deste património.