O acontecimento mais marcante da história, que inclusivamente a divide em duas partes, é o nascimento de Jesus. Trata-se de um fato indiscutível e cujo alcance vai para lá do que imaginamos ou reconhecemos.

A entrada em cena na história humana de um elemento divino não acontece todos os dias e não pode ser ignorada ou vivida como qualquer outro acontecimento. Trata-se de uma novidade e de um desafio que precisa ser mais respeitado, compreendido e vivido. Na verdade, não estamos a falar do nascimento de uma figura importante e marcante; não estamos sequer a falar de mais uma teofania de Deus ou da divindade. Estamos a falar de uma relação e de uma intenção que preside ao próprio fenómeno ocorrido. Ou seja, quando falamos do nascimento de Jesus, estamos a traçar o perfil de Deus. Estamos, em fim, a dizer que Deus é providente, está próximo de nós e nos ama infinitamente.

Falar do nascimento de Jesus é falar de Deus, é dizer que o nosso Deus incarnou para se tornar próximo, porque Ele é um Deus atento, preocupado e interessado com a sua criação. A celebração do nascimento de Jesus, ultrapassa assim o mero sentimentalismo ou até a memória de um acontecimento. Atinge o centro da humanidade e da essência do ser humano. Por isso é correto que divida a história e se centre no meio desta divisão.

O despojamento de Deus (a sua humilhação) torna-se visível na celebração da encarnação e deveria ser o sentido mais expressivo do Natal. Como não admirar-se com tal gesto? Como não admirar e celebrar tal atitude por parte do nosso Deus?!

Que este Natal, a começar desde já, nos ajude a reconhecer a verdade do Natal, o seu espirito, porque é isso que dizemos quando afirmarmos que o Natal é todos os dias.
Um Santo natal.


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