É exactamente hoje, não a data do jornal, mas o dia em que esta crónica está a ser escrita, de acordo com as contas do calendário gregoriano e seguindo a tradição desta nossa dita cultura ocidental, não confundir com acidental, pois às vezes mais parece isto do que aquilo, que termina o ano de 2015, o ano que a história ainda haverá de dividir, assim como aconteceu ao BES, em ano mau e ano bom. A divisão será difícil, ou melhor dizendo, difícil será definir qual o fragmento bom e mau deste ano quase péssimo. Se é bom antes de Costa ou depois de Costa. Para uns assim será, para outros vice-versa. De qualquer modo, e seja qual for a preferência do leitor, deseja-se que 2016 venha a ser todo ele, por inteiro e indivisível, um ANO NOVO e BOM. Para todos nós, excepto para os do CDS, uma vez que para eles vai ser um ano horribilis, porque vai ser, em décadas, o primeiro ano sem Portas. E as portas fazem muita falta em qualquer casa: não as havendo, os que estão dentro se querem sair não podem e quem estiver de fora não pode entrar. Não há como Portas para facilitar o movimento entre compartimentos contíguos. Algo parecido com a lei dos vasos comunicantes: o de menor nível aumenta à custa de e até reduzir e igualar o vaso vizinho. Coisa que Paulo fez a Pedro. Coisa que Pedro com Paulo queriam fazer a Costa, mas Catarina opôs-se a essa comunicação, accionando uma válvula de bypass esquecida, já quase inútil e assaz enferrujada. Uma autêntica geringonça, segundo Portas, mas que ainda poderá ser lubrificada com muito suor e lágrimas da boa vontade de muitos ou de todos nós. Portanto um BOM ANO 2016 para todos os que não precisem de Portas.
Neste ano que vai começar, segundo eu que escrevo, que já começou segundo o leitor, se leitor houver, o nosso primeiro acto colectivo será eleger um presidente da república. Ora, se precisamos de um bom ano, precisaremos, ainda mais, de um presidente bom. Mal dito, não o presidente, mas a frase, que deve ser um bom presidente e não um presidente bom. Ao contrário de, mal comparando, uma mulher boa não tem de ser propriamente uma boa mulher, também um bom presidente não tem de ser um presidente bom. E isso depende de nós. Com os votos. Nas urnas. Podemos escolher entre dez, embora desses, só três contem realmente, dois estorvam e os restantes serão o folclore da campanha, principalmente um que vem de Rans, mas acho que depois vão todos de patins. Para nos ajudar a escolher há as sondagens. Muitas. Demais, talvez. Nunca saberemos a quem interessa esta fantasia das sondagens. Creio, contudo, e firmemente o creio, que altos interesses se alojam por detrás da influência que as sondagens possam produzir na mente dos eleitores. Pelo menos daqueles inseguros ou até estúpidos. E perdoem-me este quase insulto. Passo a explicar. Uma sondagem recente, da Eurossondagem dá “São” Marcelo como vencedor tanto à primeira como à segunda. Se acontecer “São” Marcelo não vencer na primeira volta, como pode vencer na segunda? É incompreensível! Analisando os cinco candidatos, incluindo nestes cinco os tais dois que estorvam, podemos concluir que os eleitores destes dois, numa segunda volta, jamais ajoelhariam a “São” Marcelo. Por questão de paralelismo de nome, até. Ainda se fosse com o Matroiani! Portanto, e daí a tal estupidez, numa hipotética segunda volta, conclui-se do resultado da tal sondagem “desinteressada”, os eleitores de Nóvoa não votariam na Belém nem os desta votariam naquele. Se sabem que nem um nem outra tem hipótese de vencer na primeira volta, ao menos poupem o erário público a mais despesa. Mas, acima de tudo, que tenham juízo e não alterem o sentido principal do seu intuito primitivo.
Lamento profetizá-lo, mas 2016 também vai ser divido em ano mau e ano bom, o primeiro com Cavaco, o segundo sem Cavaco. Outro há-de ser, nem que seja o de Rans! Ufa!