Durante a nossa história, já milenária e em situações de crise, as mulheres portuguesas sempre tiveram um papel relevante na resolução de muitos problemas que afectaram a vida nacional. Nesta conjuntura, lembramos como exemplo: D. Teresa, a mãe de D. Afonso Henriques que com a sua astucia governativa procurou sempre tornar mais autónomo o Condado Portucalense, alguns séculos mais tarde tivemos a acção apaziguadora da Rainha Santa Isabel, nas lutas entre D. Dinis e seu filho primogénito, mais tarde Afonso IV, tivemos depois a grande obra da Rainha D. Leonor esposa de D. João II que criou os hospitais da misericórdia com toda a sua acção humanitária, como nós hoje a conhecemos, tivemos a decisão da Rainha D. Luiza de Gusmão que foi crucial para o sucesso da revolução de 1640 que restaurou a independência nacional, seguiu-se D. Maria I que, antes de perder a razão teve a lucidez suficiente para acabar com um governo despótico, onde a tirania personalizada se tinha sobreposto à justiça e à verdade, e por fim neste quadro monárquico cujos exemplos são ainda muito mais vastos, tivemos também a Rainha D. Amélia que vítima de um ciclo mesquinho de calúnias e mentiras, não perdeu a coragem necessária para criar a assistência nacional aos tuberculosos que tem prestado desde 1899 relevantes serviços ao país.
O Regime Republicano, assente numa doutrina mais demagógica que efectiva, depois de se ter instalado no poder em 1910, não soube, ou não quis aproveitar, estes exemplos para formar uma directriz de trabalho, que podia ter mudado totalmente nas décadas seguintes o panorama social da sociedade portuguesa. E, embebido em lutas de interesses, muitas vezes mais pessoais que colectivos, deixou-se arrastar para um campo de contendas onde alguém tinha de ser prejudicado. Esse fardo caiu sobre os ombros das mulheres que, praticamente e gradualmente, só a partir da revolução de 25 de Abril de 1974, têm visto os seus direitos e o seu espaço a ser restaurado por mérito próprio, demonstrando na prática que um país só é rico e próspero quando as mesmas oportunidades são distribuídas em pé de igualdade por todos os cidadãos.
Neste contexto, as eleições Presidenciais de 2016 que se aproximam e onde estão também duas mulheres candidatas na corrida a Belém, são um sinal muito positivo que nos mostra que a democracia portuguesa está a ser reforçada com forças novas prontas para intervir, renovar e inovar o xadrez político-partidário. Podendo ser, também, o início de um novo ciclo político, onde as mulheres, num futuro não muito distante, podem ser a grande alternativa governativa na inovação e liderança deste lindo e maravilhoso país.