No passado mês de Julho de 2014 completaram-se 800 anos desde o dia em que o rei D. Afonso II ordenou que todos os documentos oficiais do reino de Portugal passassem a ser redigidos em Língua Portuguesa.

Esta ordenação régia, que mostra o empenho e a visão de um rei que nos governou há oito séculos e dotou o seu pequeno reino com uma nova forma linguística que tornou Portugal distinto na comunidade universal das nações, merecia ser comemorada com toda a pompa e circunstancia, com um programa cultural digno de uma língua que, desde o século XVI, se expandiu por os cinco continentes onde hoje é falada por milhões de seres humanos do mundo lusófono.
Neste contexto, era muito importante que o pelouro da cultura em parceria com o ministério da educação, tivessem tomado a iniciativa em conjunto com outras forças académicas, para formarem uma comissão de honra para organizar e presidir às celebrações de uma efeméride que, depois da assinatura do tratado de Zamora de 1143 que reconheceu a independência de Portugal, foi o evento mais importante da nossa história. Devia ser lembrado com um vasto programa de actividades, tais como exposições, colóquios e palestras, com um intercâmbio de culturas lusófonas, e num plano mais arrojado podia ser o início da criação de um museu, ou um centro de estudos da Língua Portuguesa, tudo isto realizado com a colaboração também, e dentro do mesmo espirito de júbilo festivo, não só de todos os países que adoptaram o português como sua língua oficial, como também de representantes dos territórios da ex. Índia Portuguesa, do Sri-Lanka e de Malaca na Malásia.
Em muitas comunidades ainda hoje, passados alguns séculos depois dos Portugueses terem abandonado essas terras, os seus descendentes continuam a usar os nossos nomes, a cantar o nosso folclore com um cancioneiro puro do século XVI, e a viver muitos costumes desta mãe-pátria que há muito tempo os abandonou, e que há cerca de vinte anos orgulhosos da sua ascendência Portuguesa, a única coisa que pediram aos representantes do governo Português de visita a essas terras longínquas, foram apenas livros para actualizarem e continuarem a falar o idioma herdado dos seus antepassados desde o tempo das descobertas. Tudo isto são valores e maravilhas únicas dignas de respeito e admiração.
Portugal tem uma história quase milenária e universalmente rica com a qual nos podemos orgulhar, tem as fronteiras mais velhas e estáveis da Europa, tem uma língua que está nos cinco lugares cimeiros a nível mundial, tem um dos povos mais hospitaleiros do mundo, e geograficamente é o país Europeu que mais bem aproveitado em benefício de todos, reunia as melhores condições para dar uma qualidade de vida muito melhor aos seus cidadãos.
Porém, o que tem faltado em Portugal, é a criação de uma escola para formação ética de políticos exigente e selectiva, para educar e preparar os futuros governantes que deviam ser todos avaliados antes de ocuparem qualquer cargo governamental e prestar provas da sua capacidade cultural, política e social, para gerir todo o vasto património que nos foi legado e que temos o dever de preservar. Esta falta avaliativa de aptidões e competências governativas que tem faltado aos nossos políticos, tem sido muito prejudicial para o país, e está hoje muito visível no novo acordo ortográfico de 1990, que carece de um estudo mais aprofundado da nossa língua, que não foi feito apenas para dar lugar a um calão linguístico pobre e sem sentido, que não presta para nenhum dos povos que usam a ortografia Portuguesa.
Ficou bem patente também, na última cimeira da C.P.L.P. realizada recentemente em Timor-Leste, onde com a excepção do Sr. Presidente da República que tomou uma posição exemplar, a restante comitiva do governo Português, já de si despida de uma convicção e argumentação credível, para barrar a entrada nesse clube de um país campeão na pena de morte, e violação de direitos humanos, os nossos diplomatas caíram redondamente no tapete, com tal violência que nem força tiveram para evocar os estatutos dessa comunidade de países, seguindo depois por arrasto para um jogo de interesses controlado à distancia, por a linguagem dos “petrodólares” que falou muito mais alto.
No fim de tudo isto, Portugal, um país que deu uma língua e mostrou novos mundos ao mundo, merecia ser representado com uma diplomacia muito melhor.


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