As crianças precisam, na escola, de sentir motivação. Uma motivação, mesmo que simples, mas suficiente para lhes despertar entusiasmo naquilo que fazem, na execução das tarefas que lhes são sugeridas, incluindo o prazer de fazer bem.

Esta motivação é essencial e vai marcar a personalidade das crianças ou dos jovens e vai-se refletir no futuro, na maneira de encarar o trabalho que os espera quando adultos. O trabalhador que se entusiasma no seu trabalho, que se empenha na boa execução das suas responsabilidades, gosta de trabalhar, é mais feliz. E é mais facilmente apreciado e tem melhores relações com os seus superiores.
A escola de hoje, dadas as exigências, muitas vezes inoportunas, da tutela, não deixa ao professor disponibilidade para criar a dinâmica necessária a este entusiasmo. E é pena, porque ele é essencial à vida.
Há anos numa pequena comunidade da Beira Interior, aconteceu um episódio interessante, que foi depois conhecido pelo título - “A lagartixa”.
Um garoto frequentou a escola durante dois anos, sem grande sucesso, e também sem grande interesse da parte dos pais que estavam mais interessados na ajuda dele no campo. Pastoreava três cabritas e ia aprendendo pequena tarefas da agricultura. Assim, o Luís (nome fictício) acabou por desistir e abandonar a escola. Os pais, analfabetos, achavam que ele, que já soletrava qualquer coisa, tinha era que aprender a trabalhar. Só que ele, nas horas livres, aproximava-se da escola para brincar com as crianças. Um dia atreveu-se a aproximar-se da janela aberta, a chamar um dos seus amigos, que viesse cá fora. A professora aproximou-se da janela e disse-lhe que não devia perturbar e que esperasse pelo intervalo. «Mas professora, agarrei uma lagartixa e quero mostra-la ó Zé antes ca gaja fuja». «Olha Luís, tu não queres entrar e mostrar a todos a tua lagartixa e explicares o que sabes dela, o que come, como vive, sei lá, tudo o que souberes».
O Luís entrou na sala e deu uma belíssima aula a toda a turma e sentiu-se muito bem no seu papel. Depois a professora sugeriu que ele ficasse, se quisesse, até ao fim da aula e ele ficou. Desenhando e fazendo pequenos trabalhos simples.
Pronto, este foi o princípio de vários regressos à escola, de vez em quando e, no ano seguinte voltou a matricular-se, já de acordo com a família e (com dois anos de atraso) lá fez a quarta classe.
Hoje o ensino é obrigatório, mas mesmo assim há ainda alunos que ficam pelo caminho, por falta de alternativas e da tal motivação que gera o entusiasmo essencial à vida. E é pena.


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